IHFB · regulamento integral aprovado

Bloco 04: Prestígio e prioridade

Texto original preservado, aprovado em conjunto normativo v1.0 em 31/10/2026.

Nota de versão: os textos originais podem conter rótulos anteriores à ratificação, como “para voto”. O estado normativo vigente foi estabelecido pela ata final de 31/10/2026. Essa observação não altera nenhum byte do documento aprovado.

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ÍNDICE HISTÓRICO DO FUTEBOL BRASILEIRO — IHFB

BLOCO 4 — PRESTÍGIO CONTEMPORÂNEO E PRIORIDADE COMPETITIVA EFETIVA

REGULAMENTO DO IPC E DO PCE — VERSÃO 1.0

BLOCO 4 APROVADO — versão 1.0
Data da aprovação e do congelamento: 13 de agosto de 2026
Estado: aprovado e congelado por autorização expressa do responsável pelo projeto
Versão anterior preservada: proposta 0.1, de 13 de agosto de 2026
Dependências normativas: subordinada ao Regulamento de Elegibilidade do IHFB — versão 1.0, ao Regulamento de Classificação e Hierarquia Competitiva do IHFB — versão 1.0 e ao Regulamento de Variáveis e Mensuração do IHFB — versão 1.0, todos aprovados e congelados
Escopo: operacionalizar o Índice de Prestígio Contemporâneo — IPC e a Prioridade Competitiva Efetiva — PCE, definindo subdimensões, protocolo de fontes, comparação intrépoca, escalas ordinais, consolidação, incerteza e auditoria. Este bloco não atribui pesos às competições, não converte classes em coeficientes e não define a fórmula final do IHFB.

Registro de aprovação

Esta versão consolida, sem alteração metodológica material, a proposta 0.1 aprovada expressamente pelo responsável pelo projeto. As 50 decisões enumeradas na Seção 15 passam a integrar a metodologia congelada do IHFB.

Qualquer modificação futura dependerá de autorização expressa, enquadramento nos Arts. 102 e 103, registro da regra anterior e da nova regra, análise do impacto esperado e publicação de nova versão.

Versão Data Estado Alteração
0.1 13 ago. 2026 Proposta preservada Formulação original submetida à análise
1.0 13 ago. 2026 Aprovada e congelada Consolidação formal da proposta 0.1, sem mudança metodológica material

1. Problema que precisamos resolver

Prestígio histórico não é diretamente observável. Nenhum documento isolado informa, de modo neutro e universal, quanto uma competição significava em sua própria época. O IHFB precisará reconstruir esse significado a partir de vestígios produzidos por entidades, clubes, atletas, imprensa, público e agentes econômicos.

Essa reconstrução enfrenta oito problemas centrais.

1.1 Presentismo

A percepção de 2026 pode ampliar, reduzir ou reorganizar a memória de competições antigas. Reconhecimento posterior, marketing contemporâneo e posição atual de uma marca não substituem a percepção existente quando a edição foi disputada.

1.2 Confusão entre prestígio e prioridade

Uma competição pode ter grande reputação social e, em determinada edição, receber escalações enfraquecidas por conflito de calendário. Outra pode mobilizar elencos fortes por alta premiação sem possuir igual significado simbólico. Portanto:

  • IPC mede significado, reconhecimento e desejabilidade contemporâneos;
  • PCE mede compromisso esportivo efetivamente demonstrado.

Fundir os dois fenômenos esconderia divergências historicamente relevantes.

1.3 Confusão entre indicador e conceito

Público, audiência, premiação, manchetes, declarações e escalações são vestígios. Nenhum deles equivale sozinho a prestígio ou prioridade.

  • público elevado pode decorrer da popularidade de um participante, de preços promocionais ou de rodada dupla;
  • grande cobertura pode refletir mercado editorial ou disponibilidade desigual de acervos;
  • premiação nominal não é comparável entre moedas e eras;
  • uma escalação alterada pode decorrer de lesões, suspensões ou gestão normal de carga;
  • linguagem grandiosa do organizador pode ser apenas promoção.

1.4 Comparação entre ecossistemas históricos distintos

Rádio, imprensa escrita, televisão aberta, televisão por assinatura, streaming e redes digitais possuem alcances diferentes. Estádios, transportes, preço dos ingressos, profissionalização, densidade do calendário e capacidade econômica também mudaram. O IPC e o PCE precisam ser comparados com o universo contemporâneo disponível, não com um padrão tecnológico ou financeiro de 2026.

1.5 Viés dos vencedores

Declarações e celebrações posteriores ao título tendem a valorizar a conquista. Se o IHFB observar somente o campeão, poderá transformar a alegria do vencedor em prestígio geral da competição. A pesquisa deverá incluir, quando possível, objetivos anteriores, conduta de não vencedores, reação da imprensa e comportamento do campo participante.

1.6 Viés dos acervos

Jornais de grandes centros estão, em geral, mais preservados e digitalizados. Busca por OCR pode falhar com tipografia antiga, páginas deterioradas e grafias variantes. Ausência de resultado em busca eletrônica não significa ausência de cobertura, e ausência de cobertura preservada não significa ausência de prestígio.

1.7 Volatilidade entre edições e fases

Prestígio pode permanecer relativamente estável por uma era; prioridade competitiva pode mudar em poucas semanas. Fases iniciais e decisivas também podem receber tratamento diferente. Uma única classe sem perfil temporal produziria falsa homogeneidade.

1.8 Subjetividade da interpretação

Expressões como “grande torneio”, “objetivo do ano”, “equipe alternativa” ou “força máxima” precisam de regras de codificação. Sem dicionário, comparação e revisão independente, dois pesquisadores podem chegar a conclusões incompatíveis.

O Bloco 4 deve responder:

Como reconstruir, com fontes da época e sem presentismo, quanto uma competição era valorizada e quanto os participantes efetivamente a priorizavam, preservando divergências, lacunas e mudanças históricas sem transformar interpretação em pontuação arbitrária?


2. Proposta metodológica

2.1 Dois conceitos autônomos

Índice de Prestígio Contemporâneo — IPC

O IPC mede o grau em que uma competição era reconhecida, desejada e simbolicamente valorizada por instituições, agentes competitivos, imprensa e público no ecossistema histórico em que foi disputada.

O IPC não mede:

  • oficialidade;
  • força esportiva do campo;
  • dificuldade de acesso;
  • quantidade de partidas;
  • popularidade atual;
  • memória posterior isolada;
  • importância do clube vencedor.

Prioridade Competitiva Efetiva — PCE

O PCE mede o grau de compromisso esportivo concretamente demonstrado pelos participantes por meio do uso de recursos disponíveis, preparação, escolhas de calendário, continuidade e conduta competitiva.

O PCE não mede:

  • prestígio simbólico por si só;
  • qualidade intrínseca dos elencos;
  • resultado obtido;
  • esforço físico observado sem contexto;
  • mera declaração de intenção;
  • premiação oferecida sem reação comportamental.

2.2 Unidade de análise

A unidade padrão continuará sendo a competição–edição.

O IPC poderá ser herdado de uma era historicamente demonstrada quando houver estabilidade. O PCE será estimado por edição e poderá ser decomposto por fase, porque decisões de prioridade são mais voláteis.

Nenhuma classe será atribuída ao clube campeão. IPC e PCE caracterizam a competição–edição ou o comportamento do campo participante antes de qualquer fator de resultado.

2.3 Dossiê de Prestígio e Prioridade — DPP

Cada Matriz de Valoração Histórica — MVH receberá um Dossiê de Prestígio e Prioridade — DPP, com:

  1. identificador da competição–edição;
  2. período e eventual era de referência;
  3. Base Comparativa Contemporânea;
  4. protocolo de pesquisa e corpus;
  5. perfil das quatro subdimensões de IPC;
  6. perfil das quatro subdimensões de PCE;
  7. classes ordinais e intervalos;
  8. cobertura do campo e das fases;
  9. fontes favoráveis, ambivalentes e contrárias;
  10. qualidade documental separada para IPC e PCE;
  11. lacunas, proxies e vieses de acervo;
  12. codificadores, auditoria e confiabilidade;
  13. decisão, justificativa e versão.

2.4 Base Comparativa Contemporânea — BCC

Toda classificação dependerá de uma Base Comparativa Contemporânea — BCC: conjunto de objetivos competitivos materialmente disponíveis aos participantes ou ao universo relevante no mesmo período.

A BCC será construída antes da classificação de IPC e PCE e registrará:

  • temporada ou ciclo competitivo;
  • território e estrato pertinentes;
  • competições simultâneas ou funcionalmente concorrentes;
  • oportunidades efetivamente acessíveis;
  • calendário, profissionalização e meios de comunicação da época;
  • justificativa para inclusões e exclusões.

A BCC não será uma lista universal. Ela poderá variar entre territórios e eras. Uma competição antiga não será comparada automaticamente a torneios inexistentes ou inacessíveis naquele momento.

2.5 Corte temporal das fontes

Cada evidência receberá um marcador de posição temporal:

Código Faixa Uso principal
CT0 — prospectiva produzida antes do início da edição objetivos, planejamento, expectativa e valorização prévia
CT1 — sincrônica produzida durante a edição conduta, cobertura, mobilização e decisões efetivas
CT2 — recepção imediata da conclusão até o início da edição seguinte ou o encerramento do primeiro ciclo anual subsequente, quando não houver edição seguinte repercussão e incorporação imediata à memória contemporânea
CT3 — retrospectiva posterior à recepção imediata contextualização, localização de fontes e história da memória; não substitui CT0–CT2

CT0 e CT1 terão primazia para PCE. CT0, CT1 e CT2 poderão sustentar IPC. CT3 será corroborativa, salvo quando reproduzir documento contemporâneo autenticável.

2.6 Famílias independentes de evidência

As fontes serão classificadas por função, sem substituir a hierarquia do Bloco 1:

Código Família Pergunta que pode responder melhor
FI — institucional organizador, entidade competente, federação, atas, regulamentos, calendários, relatórios que posição e tratamento institucional a competição recebia?
FA — agentes competitivos clubes, dirigentes, treinadores, atletas, sindicatos e delegações a competição era desejada e tratada como objetivo?
FM — mídia independente jornais, revistas, rádio, televisão e agências não controladas pelo organizador qual era sua saliência pública comparada?
FP — público e mercado público, bilheteria, demanda de ingressos, audiência, pesquisas, contratos e receitas que mobilização verificável ocorria?
FC — conduta esportiva escalações, inscrições, viagens, treinos, concentração, desistências e escolhas de calendário qual prioridade foi efetivamente demonstrada?
FH — historiografia e memória trabalhos acadêmicos, livros, depoimentos tardios e sínteses como contextualizar, conferir e localizar vestígios?

Uma matéria republicada por vários jornais a partir da mesma agência contará como uma origem informativa, não como várias fontes independentes.

2.7 Natureza da evidência

Cada registro será identificado como:

  • ED — declaração explícita;
  • EC — conduta observada;
  • EQ — dado quantitativo;
  • EN — documento normativo ou administrativo;
  • EI — inferência contextual.

Também serão registrados:

  • direção: favorável, ambivalente, contrária ou neutra;
  • intensidade argumentativa: decisiva, forte, moderada ou fraca;
  • interesse da fonte: normativo, administrativo, promocional, jornalístico, comercial, testemunhal ou memorial;
  • independência;
  • limitação;
  • subdimensão de residência principal.

Esses rótulos não serão somados como pontos.

2.8 Regra de residência única

Toda observação terá uma única residência valorativa principal. Um mesmo fato poderá ser mencionado como contexto de outra dimensão, mas não será contado duas vezes.

Exemplo abstrato: alta premiação poderá residir como evidência econômica auxiliar de valorização institucional. Se houver prova de que ela alterou escalações, a conduta resultante, e não o mesmo valor monetário, poderá sustentar PCE.

2.9 Saída do bloco

O Bloco 4 produzirá:

[ Perfil\ IPC = (RIC,\ DAC,\ SMC,\ MPC) ]

[ Perfil\ PCE_{participante,fase} = (EED,\ PPO,\ ECC,\ ACP) ]

Esses perfis serão expressos em classes ordinais e intervalos. Não constituem fórmula de pontuação.


3. Critérios do IPC

3.1 RIC — Reconhecimento Institucional Contemporâneo

O RIC mede quanto as entidades e instituições do futebol tratavam a competição como conquista relevante, além da mera declaração de oficialidade.

Indicadores candidatos:

  • posição no calendário e proteção de datas;
  • linguagem normativa sobre finalidade e título;
  • solenidade institucional e protocolo do troféu;
  • compromissos assumidos pelo organizador;
  • consequências esportivas valorizadas no período;
  • continuidade administrativa e investimento organizacional;
  • tratamento em atas, anuários, relatórios e correspondência;
  • reação institucional a conflitos, adiamentos ou abandono.

Salvaguardas:

  • oficialidade continua sendo porta de elegibilidade, não prestígio;
  • nível hierárquico do organizador não gera RIC alto automaticamente;
  • linguagem promocional isolada demonstra ambição do emissor, não adoção social;
  • o mesmo fato estrutural já usado no HSC não receberá segunda pontuação autônoma.

3.2 DAC — Desejabilidade pelos Agentes Competitivos

O DAC mede quanto clubes, dirigentes, treinadores e atletas apresentavam a conquista como objetivo desejável em seu próprio calendário.

Indicadores candidatos:

  • objetivos declarados antes da edição;
  • planos de temporada e registros internos;
  • disposição para suportar custos de participação;
  • negociações de calendário para viabilizar presença;
  • declarações de participantes vencedores e não vencedores;
  • reação a classificação, eliminação e perda do título;
  • reivindicações por vagas ou permanência no torneio;
  • valor atribuído ao troféu em documentos contemporâneos dos clubes.

Salvaguardas:

  • comemoração do vencedor não representa sozinha todo o campo;
  • declaração posterior à conquista terá menor poder inferencial que objetivo CT0;
  • fala de um único atleta ou dirigente não definirá a edição;
  • retórica institucional será confrontada com FC e fontes independentes;
  • popularidade atual dos declarantes será irrelevante.

3.3 SMC — Saliência Midiática Comparada

O SMC mede a presença editorial e a proeminência da competição no ecossistema de comunicação existente na época.

Indicadores candidatos:

  • continuidade da cobertura antes, durante e depois;
  • destaque em capa, manchete, editorial ou página esportiva;
  • espaço relativo, frequência e profundidade;
  • cobertura de regulamento, classificação, bastidores e preparação;
  • alcance geográfico e diversidade de veículos;
  • transmissão, narração, boletins e programação especial;
  • comparação com outras competições da BCC;
  • repercussão além das cidades diretamente envolvidas.

Salvaguardas:

  • contagem bruta de matérias não bastará;
  • publicidade paga e conteúdo do organizador serão separados de cobertura editorial;
  • reproduções da mesma agência não serão tratadas como fontes independentes;
  • tamanho do mercado editorial, circulação e disponibilidade do acervo serão contextualizados;
  • busca por OCR será conferida na imagem original;
  • ausência em OCR nunca será evidência negativa suficiente.

3.4 MPC — Mobilização Pública Contemporânea

O MPC mede a resposta social verificável à competição dentro dos meios disponíveis na época.

Indicadores candidatos:

  • público e ocupação de estádio;
  • procura, venda antecipada e esgotamento de ingressos;
  • bilheteria e preço relativo;
  • audiência de rádio, televisão ou plataformas disponíveis;
  • deslocamento de torcedores;
  • recepção pública, festas e rituais cívicos;
  • pesquisas contemporâneas de interesse, quando confiáveis;
  • repercussão social fora do grupo vencedor.

Salvaguardas:

  • público bruto será ajustado por capacidade, estádio, mercado e fase;
  • “público presente”, “pagante” e distribuição promocional serão distinguidos;
  • rodadas duplas ou festivais não terão público atribuído automaticamente a uma única partida;
  • finais não representarão sozinhas toda a edição;
  • audiência será contextualizada por cobertura tecnológica, quantidade de receptores e alcance do sinal;
  • festas do vencedor serão corroborativas, não decisivas.

3.5 Evidência econômica relativa

Premiação, receitas, garantias, bilheteria e contratos não formarão uma quinta subdimensão do IPC. Serão indicadores auxiliares com residência principal em RIC, DAC ou MPC, conforme o fenômeno efetivamente demonstrado.

A análise econômica observará, quando os dados permitirem:

  • relação com premiações de outras competições da BCC;
  • relação com receitas, folha salarial ou orçamento dos participantes;
  • relação com custos de viagem e participação;
  • valor efetivamente pago, não apenas anunciado;
  • regime monetário e inflação;
  • importância relativa no ecossistema do futebol, além do poder de compra geral.

Conversão por índice de preços poderá auxiliar, mas não será suficiente. Corrigir moeda não transforma automaticamente valores de épocas diferentes em incentivos esportivos equivalentes.

3.6 Memória contemporânea imediata

Anuários, balanços, retrospectivas de temporada e celebrações publicados em CT2 poderão demonstrar incorporação imediata da competição à memória de sua época.

Memória produzida décadas depois será CT3 e não elevará o IPC sem confirmação CT0–CT2.

3.7 Escala ordinal do IPC

Cada subdimensão receberá uma classe ordinal ancorada:

Classe Rótulo Âncora histórica
IPC-1 prestígio marginal reconhecimento residual ou claramente periférico diante da BCC; evidências convergentes de baixa valorização
IPC-2 prestígio limitado competição conhecida e reconhecida, mas tratada de modo predominantemente secundário ou restrito
IPC-3 prestígio relevante objetivo valorizado e publicamente reconhecido, sem evidência suficiente de posição entre as conquistas mais importantes do universo comparável
IPC-4 prestígio elevado uma das conquistas de alta importância no universo relevante, com reconhecimento convergente entre diferentes famílias
IPC-5 prestígio excepcional conquista situada no ápice ou muito próxima do ápice simbólico de seu universo e período, com centralidade amplamente demonstrada
IPC-PD pendente documentação insuficiente, enviesada ou contraditória para classe responsável

Os algarismos identificam ordem, não distâncias iguais. IPC-4 não significa “duas vezes” IPC-2. Nenhuma classe será convertida em multiplicador neste bloco.

3.8 Consolidação do perfil IPC

As quatro subdimensões serão classificadas separadamente. A classe consolidada será a mediana intervalar das subdimensões válidas:

  1. ordenam-se as classes válidas;
  2. com quantidade ímpar, conserva-se a classe central;
  3. com quantidade par, conserva-se o intervalo entre as duas classes centrais;
  4. não se calcula média aritmética;
  5. são necessárias pelo menos três subdimensões com qualidade A ou B para classe consolidada definitiva;
  6. subdimensões em qualidade C somente poderão ampliar a faixa de incerteza;
  7. divergência de mais de duas classes entre subdimensões exigirá marcador de heterogeneidade e explicação específica.

IPC-1 ou IPC-5 consolidados exigirão, adicionalmente:

  • ao menos três subdimensões na classe extrema correspondente;
  • nenhuma subdimensão válida em sentido fortemente contrário;
  • evidência de pelo menos três famílias independentes;
  • auditoria expressa das fontes contrárias.

3.9 Resultado do IPC

O registro final conterá:

  • perfil completo RIC–DAC–SMC–MPC;
  • classe ou intervalo consolidado;
  • grau de qualidade QIPC;
  • BCC utilizada;
  • período válido;
  • marcador de heterogeneidade;
  • evidências decisivas e contrárias;
  • incerteza e versão.

4. Critérios do PCE

4.1 EED — Emprego do Elenco Disponível

O EED mede em que grau cada participante empregou os jogadores e recursos esportivos efetivamente disponíveis.

Serão distinguidos:

  • núcleo recorrente: atletas com função principal demonstrada no ciclo competitivo;
  • rotação principal: atletas usados regularmente em nível comparável;
  • complementares: atletas de uso esporádico, desenvolvimento ou contingência;
  • indisponíveis: lesionados, suspensos, convocados, não inscritos, impedidos ou sem condição documentada.

A classificação não pressuporá uma “equipe titular” fixa. Minutos, partidas iniciadas, função tática, registros de imprensa e documentos oficiais serão combinados segundo a disponibilidade histórica.

Salvaguardas:

  • lesão, suspensão, convocação ou limite de inscrição não reduzirá PCE;
  • profundidade de elenco não será confundida com desinteresse;
  • rotação para maximizar desempenho poderá ser compatível com alta prioridade;
  • uma escalação isolada será contextualizada por fase e calendário;
  • valor de mercado e fama posterior dos atletas não decidirão o EED;
  • classificações como “reservas” na imprensa serão verificadas contra uso real quando possível.

4.2 PPO — Planejamento e Prioridade Operacional

O PPO mede recursos e preparação destinados à disputa.

Indicadores candidatos:

  • pré-temporada e cronograma de treinos;
  • concentração, viagens e antecedência logística;
  • inscrição do melhor contingente disponível;
  • recuperação e gestão médica direcionadas;
  • planejamento declarado e executado;
  • alterações de agenda solicitadas para preservar a competição;
  • investimento técnico e operacional específico;
  • coerência entre declarações e conduta.

Custos maiores por distância ou precariedade não significarão automaticamente maior prioridade. O que importa é a escolha do participante diante das alternativas possíveis.

4.3 ECC — Escolhas em Conflitos de Calendário

O ECC mede como o participante distribuiu recursos quando duas ou mais competições disputavam datas, descanso ou jogadores.

Constituem evidências fortes:

  • preservação deliberada de atletas para uma disputa em detrimento de outra;
  • pedido de alteração de data;
  • ordem de prioridade declarada e confirmada por escalações;
  • abandono ou sacrifício de fase por conflito;
  • divisão de elenco;
  • uso dos principais recursos nas fases simultâneas.

Salvaguardas:

  • ausência de conflito não implica prioridade máxima;
  • calendário imposto sem escolha real será registrado como restrição;
  • decisão racional de carga não será interpretada automaticamente como desprezo;
  • um único confronto simultâneo não definirá toda a edição sem padrão consistente.

4.4 ACP — Adesão e Continuidade Participativa

O ACP mede a disposição concreta de ingressar, permanecer e competir seriamente.

Indicadores candidatos:

  • aceitação ou recusa de vaga;
  • desistência antes ou durante a disputa;
  • cumprimento de viagens e partidas;
  • escalação deliberadamente não competitiva;
  • protesto esportivo ou administrativo;
  • uso de equipes incompatíveis com o nível habitual sem causa involuntária;
  • padrão coletivo de adesão entre os participantes.

Salvaguardas:

  • convite aceito não implica alta prioridade;
  • desistência por força maior será separada de recusa voluntária;
  • crise financeira, guerra, epidemia, desastre, segurança e intervenção pública serão registradas;
  • sanção ou exclusão imposta não será tratada como desinteresse voluntário;
  • conduta de um participante não representará todo o campo.

4.5 Núcleo Disponível de Referência — NDR

Para estudar escalações, cada participante–ciclo poderá receber um Núcleo Disponível de Referência — NDR.

O NDR será reconstruído com dados anteriores ou contemporâneos independentes do resultado da competição analisada:

  • uso recorrente em partidas oficiais próximas;
  • minutos e partidas iniciadas;
  • função tática e posição;
  • listas de inscritos;
  • lesões, suspensões e convocações;
  • documentos do clube e relatos contemporâneos convergentes.

O NDR não terá tamanho universal. Será um perfil de papéis e disponibilidade, não uma lista rígida de onze nomes. Quando os dados forem insuficientes, usar-se-á classificação textual com faixa de incerteza, nunca preenchimento intuitivo.

4.6 Escala ordinal do participante

Cada subdimensão de PCE receberá classe ordinal:

Classe Rótulo Âncora comportamental
PCE-1 compromisso residual recusa, abandono ou despriorização deliberada e sistemática diante das possibilidades reais
PCE-2 compromisso reduzido participação efetiva, mas com preservação clara de recursos para outros objetivos ou esforço abaixo do padrão contemporâneo disponível
PCE-3 compromisso regular ou misto conduta competitiva normal para a época, sem demonstração convergente de prioridade alta ou baixa; padrões heterogêneos podem permanecer nessa faixa
PCE-4 compromisso elevado preparação, recursos e escolhas demonstram que a competição estava entre os objetivos esportivos importantes
PCE-5 compromisso máximo emprego consistente dos melhores recursos disponíveis e preferência demonstrada mesmo diante de alternativas relevantes
PCE-PD pendente dados de conduta ou disponibilidade insuficientes para inferência responsável

As classes são ordinais. Não haverá média de “percentuais de titulares” convertida automaticamente em PCE.

4.7 Consolidação por participante e fase

Para cada participante em cada fase aplicável:

  1. EED, PPO, ECC e ACP serão classificados separadamente;
  2. a consolidação usará mediana intervalar;
  3. serão necessárias pelo menos três subdimensões válidas para classe definida;
  4. PCE-1 e PCE-5 exigirão ao menos três subdimensões na classe extrema e nenhuma evidência válida fortemente contrária;
  5. declaração sem conduta compatível não poderá sustentar PCE-4 ou PCE-5;
  6. ausência de conflito de calendário poderá deixar ECC como não aplicável, sem ser convertida em zero.

Quando uma subdimensão for genuinamente não aplicável, a consolidação usará as demais, preservando o marcador NA. Quando faltarem dados, será usado PD, não NA.

4.8 Perfil da edição

O PCE da competição–edição será apresentado como perfil, não como uma média única:

Código Saída Função
PCE-G prioridade geral do campo mediana intervalar dos participantes cobertos, com distribuição completa
PCE-N prioridade do núcleo competitivo comportamento dos principais candidatos identificados ex ante pelo FCP do Bloco 5
PCE-D prioridade das fases decisivas comportamento dos participantes remanescentes nas fases de maior consequência
PCE-H heterogeneidade distribuição de classes, amplitude e padrões divergentes
COV-PCE cobertura participantes, fases e partidas efetivamente documentados

PCE-N permanecerá conceitualmente definido, mas sua regra operacional de seleção dependerá do método de FCP aprovado no Bloco 5.

4.9 Agregação do campo

Na PCE-G, cada participante terá o mesmo peso descritivo. Quantidade de partidas não aumentará automaticamente sua influência.

Uma classe geral somente será definitiva quando houver:

  • censo do campo; ou
  • amostra formalmente estratificada por fase, território e estrato de força, com cobertura documentada e sem omissão sistemática conhecida.

Se a cobertura estiver concentrada nos maiores centros ou apenas nos finalistas, PCE-G será apresentada como faixa ou ficará pendente. PCE-N e PCE-D poderão ser informadas separadamente se possuírem documentação suficiente.

4.10 Fases

Cada edição será dividida apenas por fases funcionais previstas ou efetivamente realizadas. Fase preliminar, grupos, mata-mata e decisão poderão apresentar PCE distintas.

Alta prioridade na final não apagará baixa prioridade generalizada nas fases anteriores. Baixa prioridade de eliminados não reduzirá automaticamente PCE-D. O perfil conservará ambas as informações.

4.11 Resultado do PCE

O registro final conterá:

  • classes por participante e fase;
  • PCE-G, PCE-N, PCE-D e PCE-H;
  • COV-PCE;
  • grau de qualidade QPCE;
  • mapa de disponibilidade;
  • conflitos de calendário;
  • explicações para NA e PD;
  • evidências decisivas e contrárias;
  • versão.

O Bloco 14 decidirá se e como esse perfil será convertido em componente limitado da fórmula. Nenhuma conversão é autorizada agora.


5. Protocolo de pesquisa e normalização

5.1 Plano prévio de pesquisa

Antes de classificar uma edição ou era, o DPP registrará:

  1. pergunta histórica;
  2. BCC;
  3. período CT0–CT2;
  4. acervos e veículos consultados;
  5. termos de busca, grafias variantes e idiomas;
  6. unidades de análise;
  7. amostragem;
  8. critérios de inclusão e exclusão;
  9. subdimensões procuradas;
  10. limites conhecidos.

O plano impedirá que o pesquisador selecione apenas fontes favoráveis depois de conhecer a hipótese desejada.

5.2 Corpus de imprensa

O corpus deverá procurar diversidade:

  • geográfica compatível com a abrangência;
  • editorial e política;
  • veículos locais e de circulação mais ampla;
  • imprensa geral e especializada;
  • períodos antes, durante e depois;
  • participantes vencedores e não vencedores.

Serão registrados o total de edições disponíveis, lacunas do acervo, circulação quando conhecida e eventual dependência de agências.

5.3 Unidade de análise midiática

Cada item poderá registrar:

  • veículo e edição;
  • página, seção e posição;
  • manchete, chamada ou nota;
  • área ou duração relativa;
  • autoria e origem de agência;
  • gênero: notícia, editorial, coluna, publicidade ou carta;
  • tom e argumento;
  • competição comparadora;
  • imagem conferida.

Frequência, proeminência e abrangência serão analisadas separadamente.

5.4 Controle de OCR

Buscas digitais serão auxiliares. Toda evidência decisiva exigirá inspeção da página, áudio, vídeo ou documento original digitalizado.

O pesquisador deverá:

  • testar grafias antigas e nomes alternativos;
  • pesquisar participantes, organizador e troféu;
  • registrar falsos positivos e falsos negativos conhecidos;
  • conferir amostra de páginas sem resultados;
  • não tratar “zero ocorrências” como prova de silêncio sem verificar cobertura e OCR.

5.5 Normalização de cobertura

Quando quantificada, a cobertura será comparada por medidas relativas, como:

  • parcela do espaço esportivo do veículo;
  • posição editorial;
  • continuidade ao longo da edição;
  • relação com competições da BCC na mesma janela;
  • amplitude de veículos e territórios;
  • proporção de edições disponíveis efetivamente consultadas.

Contagem absoluta de páginas, artigos ou minutos não será comparada diretamente entre eras.

5.6 Normalização de público

Dados de estádio considerarão, quando disponíveis:

  • público pagante e presente;
  • capacidade operacional no dia;
  • ocupação percentual;
  • preço e distribuição gratuita;
  • estádio, cidade e mando;
  • rodada simples, dupla ou festival;
  • fase e importância do confronto;
  • restrições de segurança, transporte e clima;
  • baseline do mesmo participante, estádio e ciclo;
  • BCC.

Média de público não será usada sem distribuição por fase e controle de contexto.

5.7 Normalização de audiência

Audiência de rádio, televisão ou plataforma será contextualizada por:

  • população e domicílios alcançáveis;
  • cobertura territorial do sinal;
  • penetração tecnológica;
  • disponibilidade de transmissão concorrente;
  • método de medição;
  • audiência absoluta e participação relativa;
  • transmissão integral, parcial ou boletins.

A inexistência de televisão em determinada época não reduzirá IPC. Serão usados os meios então existentes.

5.8 Normalização econômica

Valores monetários terão três camadas distintas:

  1. nominal documental — moeda e valor originais;
  2. real macroeconômica — correção monetária, quando metodologicamente possível;
  3. relativa futebolística — comparação com folha, orçamento, receitas, custos e outras premiações contemporâneas.

A terceira camada terá primazia interpretativa. Quando ela não puder ser calculada, a conclusão ficará limitada.

5.9 Normalização de escalações

Escalações serão comparadas com o NDR e com o comportamento do mesmo participante no ciclo, e não com fama posterior.

Indicadores descritivos poderão incluir:

  • presença do núcleo recorrente;
  • continuidade da rotação principal;
  • uso de jovens ou complementares;
  • substituições e entrada de jogadores principais;
  • diferenças entre fases;
  • escolha relativa diante da BCC.

Nenhum percentual universal de “titulares” definirá sozinho uma classe.

5.10 Declarações

Declarações serão avaliadas por:

  • momento CT0–CT3;
  • função e competência do emissor;
  • interesse promocional;
  • especificidade;
  • coerência com a conduta;
  • repetição independente;
  • presença de declarações contrárias.

Para IPC, uma declaração explícita pode demonstrar desejabilidade do emissor. Para PCE, ela precisará de conduta compatível.

5.11 Evidência negativa e silêncio

Recusas, desistências, críticas, cobertura reduzida e escalações deliberadamente enfraquecidas serão registradas.

O silêncio somente terá valor negativo quando:

  • o acervo estiver suficientemente completo;
  • a fonte cobrir regularmente o mesmo tipo de evento;
  • a janela e os termos de busca forem adequados;
  • competições da BCC aparecerem normalmente;
  • a ausência for confirmada por inspeção além do OCR.

5.12 Fontes retrospectivas

Trabalhos acadêmicos e livros especializados poderão:

  • reconstruir contexto;
  • localizar documentos;
  • avaliar mudanças de calendário e mídia;
  • discutir memória e recepção.

Não poderão, sozinhos, substituir evidência contemporânea para classe alta ou baixa de IPC/PCE.


6. Qualidade, triangulação e auditoria

6.1 Graus de qualidade

IPC e PCE receberão graus separados:

Grau Requisitos mínimos Efeito
Q-A — robusto cobertura adequada; pelo menos três famílias independentes; fontes CT0–CT2; evidência favorável e contrária auditada; codificação confiável classe ou intervalo definitivo dentro da versão
Q-B — suficiente pelo menos duas famílias independentes, incluindo uma fonte primária CT0–CT2; limitações controladas classe ou intervalo utilizável com incerteza registrada
Q-C — provisório corpus parcial, uma única família, conflito relevante ou proxy indispensável somente faixa provisória; não autoriza coeficiente definitivo
Q-D — insuficiente ausência de base mínima ou viés não controlável IPC-PD ou PCE-PD

O número de fontes dentro da mesma família não substitui diversidade de famílias.

6.2 Requisitos especiais do IPC

QIPC-A exige ao menos:

  • uma família institucional ou de agentes;
  • uma família social independente, FM ou FP;
  • uma terceira família independente;
  • comparação explícita com BCC;
  • auditoria de presentismo e viés do vencedor.

6.3 Requisitos especiais do PCE

QPCE-A exige:

  • pelo menos uma fonte de conduta esportiva FC;
  • mapa de disponibilidade suficiente;
  • cobertura representativa do campo ou perfil explicitamente limitado;
  • comparação por fase ou calendário quando relevante;
  • declarações confrontadas com comportamento.

PCE sustentado apenas por falas jamais ultrapassará Q-C.

6.4 Codificação independente

Registros qualitativos decisivos e casos controversos serão codificados independentemente por pelo menos dois revisores antes da conciliação.

Serão preservados:

  • códigos originais;
  • divergências;
  • justificativa de conciliação;
  • versão do manual;
  • reclassificações posteriores.

6.5 Confiabilidade entre codificadores

Quando houver volume suficiente, será calculado alfa de Krippendorff para classes ordinais e categorias textuais.

  • α ≥ 0,800: confiabilidade adequada para uso definitivo;
  • 0,667 ≤ α < 0,800: uso provisório, com dupla revisão e sensibilidade;
  • α < 0,667: revisão do dicionário e nova codificação antes de decisão.

O coeficiente não substituirá análise histórica; apenas testará reprodução das regras.

6.6 Evidência contrária obrigatória

Todo DPP terá seção de busca e avaliação de evidência contrária. A ausência dessa seção impedirá Q-A.

6.7 Registro de inferências

Toda inferência declarará:

  • premissas;
  • fontes;
  • elo causal;
  • alternativas plausíveis;
  • limitação;
  • efeito sobre classe ou faixa.

6.8 Lacuna não é zero

Ausência de dados reduzirá qualidade e ampliará incerteza. Não reduzirá automaticamente IPC ou PCE.

6.9 Intervalos e empate metodológico

Quando evidências sustentarem duas classes adjacentes, o resultado permanecerá como intervalo, por exemplo IPC-[3,4]. Não haverá arredondamento discricionário.

Quando duas interpretações não adjacentes permanecerem plausíveis, o caso será marcado como controvérsia e não receberá classe definitiva até decisão documentada.

6.10 Controle de redundância

Antes do Bloco 14 serão avaliados:

  • correlação entre IPC e PCE;
  • correlação entre RIC, DAC, SMC e MPC;
  • dependência entre mídia, público e economia;
  • repetição do HSC dentro do RIC;
  • repetição de escalações em FCP e PCE.

Alta correlação não elimina automaticamente conceitos distintos, mas impedirá dupla influência não controlada.


7. Divisão por eras e mudanças históricas

7.1 IPC por era

IPC poderá ser herdado por uma era quando:

  1. a identidade estrutural da competição permanecer comparável;
  2. não houver mudança documentada de calendário, concorrência, participantes ou função;
  3. fontes CT0–CT2 demonstrarem padrão estável;
  4. forem examinadas pelo menos três edições distribuídas no período, ou todas quando a era tiver menos de três;
  5. nenhuma edição excepcional contrariar silenciosamente a herança.

O perfil herdado será registrado em cada edição com referência ao dossiê da era.

7.2 PCE por era

PCE não será herdado por padrão. Herança somente será admitida quando amostra longitudinal representativa demonstrar estabilidade de conduta, disponibilidade e conflitos de calendário.

Qualquer edição com crise, sobreposição excepcional, boicote, mudança de prêmio ou alteração de participantes receberá análise própria.

7.3 Pontos de ruptura

Constituem candidatos a ruptura:

  • criação ou extinção de competição concorrente;
  • mudança relevante de calendário;
  • transformação do acesso ou da composição;
  • profissionalização ou mudança institucional;
  • alteração persistente da cobertura de mídia;
  • mudança material de premiação relativa;
  • padrão novo de escalações, recusas ou desistências;
  • tecnologia de transmissão que altere a mobilização;
  • alteração verificável da linguagem e dos objetivos dos participantes.

Décadas redondas não serão usadas como ruptura sem evidência.

7.4 Edição extraordinária

Edição extraordinária poderá conservar o IPC da era e receber PCE específico, ou alterar ambos, conforme evidências. A excepcionalidade do formato não produz desconto automático.


8. Justificativa histórica

O futebol brasileiro foi organizado por ecossistemas sucessivos e parcialmente sobrepostos. Em certos períodos, campeonatos locais e estaduais concentravam os principais jogadores, públicos e objetivos disponíveis. Em outros, competições interestaduais, nacionais, continentais e mundiais reorganizaram o calendário e a linguagem de grandeza.

Essa transformação não ocorreu simultaneamente em todos os territórios. A difusão do rádio, a massificação da imprensa, a televisão, o transporte aéreo, a profissionalização, os calendários nacionais e a internacionalização alteraram o modo pelo qual prestígio e prioridade se manifestavam.

Por isso:

  • baixa audiência televisiva não pode ser imputada a uma era sem televisão disponível;
  • público absoluto de estádio precisa ser lido segundo capacidade, população, transporte e preço;
  • uma competição curta pode receber compromisso máximo;
  • uma competição tradicional pode manter IPC alto e sofrer PCE baixo em uma edição congestionada;
  • uma competição nova pode obter PCE alto antes de consolidar prestígio simbólico;
  • ausência documental deve ser tratada como incerteza, não como irrelevância.

A comparação intrépoca e a triangulação entre instituições, agentes, mídia, público e conduta são, portanto, necessárias para evitar anacronismo.


9. Vantagens da proposta

  1. Preserva a época: mede significado dentro do calendário e dos meios então existentes.
  2. Separa reputação de comportamento: IPC e PCE podem divergir sem incoerência.
  3. Evita indicador único: dinheiro, público ou imprensa não decidem sozinhos.
  4. Reduz viés do vencedor: exige fontes anteriores e do campo amplo.
  5. Controla acervos: registra OCR, cobertura, circulação e lacunas.
  6. Admite fases: PCE inicial e decisivo não são artificialmente fundidos.
  7. Não pune o passado: falta de dados aumenta incerteza, não reduz valor.
  8. É auditável: cada evidência possui residência, tempo, direção e limitação.
  9. É reproduzível: classes ancoradas, mediana intervalar e dupla codificação reduzem arbitrariedade.
  10. Evita falsa precisão: intervalos e PD permanecem visíveis.
  11. Prepara sensibilidade: decisões frágeis poderão ser testadas no Bloco 15.
  12. Mantém neutralidade: nenhuma regra depende de qual clube venceu.

10. Riscos, distorções e controles

Risco Distorção possível Controle proposto
Presentismo reputação atual reescrever o passado primazia CT0–CT2; CT3 apenas contextual
Propaganda do organizador ambição institucional virar prestígio social separar conteúdo promocional; exigir adoção independente
Viés do vencedor comemoração particular representar todo o campo objetivos CT0, não vencedores e fontes independentes
Mercado dos participantes clube popular inflar público e mídia baseline do mesmo mercado, estádio, participante e BCC
Arquivo desigual grandes centros parecerem sempre mais prestigiosos corpus geográfico, cobertura de acervo e QIPC
OCR defeituoso silêncio artificial grafias variantes e inspeção da imagem
Contagem de matérias volume editorial virar prestígio automático proeminência, proporção, continuidade e independência
Público bruto estádio grande inflar MPC ocupação, preço, capacidade, fase e contexto
Rodada dupla atribuir o mesmo público a dois eventos documentação específica ou indicador indisponível
Dinheiro nominal hiperinflação ou câmbio distorcer incentivo camadas nominal, real e relativa futebolística
Prêmio anunciado promessa não paga elevar IPC distinguir anunciado, contratado e pago
“Time reserva” jornalístico rótulo impreciso reduzir PCE NDR, uso real e disponibilidade
Lesões e suspensões ausência involuntária virar desinteresse mapa de disponibilidade
Rotação moderna gestão de carga virar baixa prioridade analisar estratégia, fase e BCC
Final com força máxima decisão esconder fases despriorizadas PCE por fase e perfil completo
Um clube desistente todo o torneio parecer despriorizado PCE-G, PCE-N, PCE-D e distribuição
Muitos jogos de um clube participante dominar agregação peso descritivo igual por participante
Falta de conflito PCE máxima por ausência de escolha ECC = NA, nunca máximo automático
HSC repetido em RIC centralidade contada duas vezes residência única e auditoria de redundância
Escalações em FCP e PCE qualidade do elenco contada duas vezes FCP mede força; PCE mede escolha relativa ao disponível
Classes tratadas como números média e multiplicadores arbitrários ordinalidade expressa; conversão somente no Bloco 14
Codificação subjetiva pesquisadores divergirem manual, dupla codificação e alfa de Krippendorff
Herança excessiva por era mudança rápida ficar invisível pontos de ruptura e edição extraordinária
Pesquisa seletiva fontes procuradas para confirmar hipótese plano prévio e evidência contrária obrigatória

11. Exemplos exclusivamente hipotéticos

  1. Competição Alfa: documentos institucionais, objetivos dos participantes, ampla cobertura comparada e ocupação elevada sustentam IPC-4; faltam escalações confiáveis, então PCE fica pendente. Falta de PCE não reduz IPC.

  2. Competição Beta: mantém grande tradição e repercussão, mas conflito de calendário leva vários participantes a preservar seus núcleos. O perfil pode registrar IPC-4 e PCE-G-[2,3].

  3. Competição Gama: oferece prêmio excepcional, porém o prêmio não é contextualizado e não há mudança comportamental. O dinheiro sozinho não produz IPC ou PCE altos.

  4. Competição Delta: possui apenas uma decisão entre campeões altamente selecionados. O número reduzido de partidas não impede IPC e PCE elevados; acesso e força serão tratados em SAC e FCP.

  5. Competição Épsilon: a final lota um estádio, mas fases anteriores possuem baixa ocupação. MPC registra a distribuição por fase e não transforma um jogo em prova da edição inteira.

  6. Competição Zeta: jornais de uma metrópole oferecem extensa cobertura porque um participante local está presente. O SMC compara veículos de outras regiões, BCC e espaço editorial habitual antes de inferir prestígio geral.

  7. Competição Eta: três jogadores recorrentes não atuam por suspensão e convocação. O mapa de disponibilidade impede que as ausências reduzam EED.

  8. Competição Teta: o vencedor realiza grande celebração, mas fontes CT0 mostram que os participantes não a tratavam como objetivo principal. A festa é evidência auxiliar, não reclassificação automática.

  9. Competição Iota: disputada antes da difusão da televisão, recebe ampla cobertura radiofônica e impressa. A ausência de audiência televisiva é irrelevante.

  10. Competição Capa: muda de posição no calendário e perde participantes relevantes. IPC e PCE são reavaliados a partir do ponto de ruptura, sem divisão por década arbitrária.

  11. Competição Lambda: parte do campo compete com prioridade máxima e parte com prioridade reduzida. O IHFB conserva PCE-H e não força consenso inexistente.

  12. Competição Mi: só há documentação dos finalistas. PCE-D pode ser estimada; PCE-G permanece em faixa ou PD.


12. Alternativas consideradas

Alternativa A — Nota única de especialistas

Pesquisadores atribuiriam diretamente uma nota de prestígio.

Vantagem: rapidez.
Problema: baixa reprodução, forte dependência de memória atual e ausência de trilha empírica.
Decisão recomendada: rejeitar.

Alternativa B — Público, audiência e premiação como fórmula automática

Vantagem: dados aparentemente objetivos.
Problema: mercados, capacidades, moedas, tecnologias e incentivos diferentes; dupla contagem.
Decisão recomendada: rejeitar como fórmula, preservar como evidência contextualizada.

Alternativa C — Absorver PCE dentro do IPC

Vantagem: modelo menor.
Problema: impede registrar competição prestigiosa temporariamente sacrificada ou competição financeiramente priorizada sem prestígio consolidado.
Decisão recomendada: rejeitar.

Alternativa D — Usar somente documentos institucionais

Vantagem: autenticidade e organização.
Problema: prova intenção institucional, mas não necessariamente adesão dos clubes, mídia e público.
Decisão recomendada: rejeitar como fonte exclusiva.

Alternativa E — Mineração automática de jornais

Vantagem: grande escala.
Problema: OCR, duplicação, seleção de acervo, ausência de layout e ironia.
Decisão recomendada: usar para localização e medidas auxiliares, sempre com inspeção e amostragem auditada.

Alternativa F — Benchmarks universais

Exemplo: público acima de determinado número sempre gera classe alta.

Vantagem: simplicidade.
Problema: anacronismo e favorecimento de grandes mercados.
Decisão recomendada: rejeitar; usar BCC e medidas relativas.

Alternativa G — Perfil ordinal multidimensional

Quatro subdimensões para IPC, quatro para PCE, mediana intervalar, qualidade separada e manutenção da heterogeneidade.

Vantagem: histórico, transparente, auditável e resistente a um único indicador.
Problema: coleta trabalhosa e necessidade de codificação rigorosa.
Decisão recomendada: adotar.


13. Recomendação aprovada

Fica aprovada a Alternativa G com os seguintes pilares:

  1. IPC e PCE autônomos;
  2. comparação exclusivamente intrépoca mediante BCC;
  3. quatro subdimensões para cada variável;
  4. classes ordinais de 1 a 5, mais PD e NA quando aplicável;
  5. mediana intervalar, sem média aritmética;
  6. perfil de campo, núcleo, fases decisivas e heterogeneidade para PCE;
  7. economia, público, mídia e escalações como indicadores contextualizados;
  8. plano prévio de pesquisa e busca obrigatória de evidência contrária;
  9. qualidade A–D separada do valor;
  10. dupla codificação em evidências decisivas e casos controversos;
  11. herança de era controlada e PCE por edição como padrão;
  12. nenhuma conversão em peso antes do Bloco 14.

14. REGULAMENTO DO IPC E DO PCE — VERSÃO 1.0

CAPÍTULO I — PRINCÍPIOS

Art. 1º — Objeto

Este Regulamento disciplina a mensuração histórica do IPC e do PCE.

Art. 2º — Contemporaneidade

O significado será reconstruído segundo o sistema futebolístico e os meios disponíveis na própria época.

Art. 3º — Separação

IPC e PCE serão variáveis autônomas.

Art. 4º — Impessoalidade

Nenhuma classificação dependerá da identidade do campeão ou de seu efeito no ranking.

Art. 5º — Unidade

A unidade padrão será competição–edição, admitida herança histórica controlada.

Art. 6º — Sem pontuação

Classes deste Regulamento não serão pesos, pontos ou coeficientes.

Art. 7º — Lacuna

Ausência de dado produzirá incerteza, nunca valor zero automático.

Art. 8º — Evidência contrária

Toda conclusão procurará e registrará evidência contrária.

CAPÍTULO II — BASE COMPARATIVA E TEMPO

Art. 9º — BCC

Toda análise utilizará Base Comparativa Contemporânea declarada.

Art. 10 — Proibição de universo futuro

Competições inexistentes ou materialmente inacessíveis não integrarão a BCC.

Art. 11 — CT0

Fonte anterior à edição será prospectiva.

Art. 12 — CT1

Fonte produzida durante a edição será sincrônica.

Art. 13 — CT2

Fonte da recepção imediata será contemporânea pós-edição dentro do ciclo definido.

Art. 14 — CT3

Fonte retrospectiva será contextual e não substituirá CT0–CT2.

Art. 15 — Primazia do PCE

PCE privilegiará CT0, CT1 e conduta observada.

Art. 16 — Memória imediata

CT2 poderá sustentar incorporação contemporânea ao prestígio.

CAPÍTULO III — FONTES E REGISTRO

Art. 17 — Hierarquia funcional

A hierarquia do Bloco 1 será aplicada conforme a competência de cada fonte para a pergunta investigada.

Art. 18 — Famílias

Serão registradas FI, FA, FM, FP, FC e FH.

Art. 19 — Independência

Reprodução de uma mesma origem informativa não constituirá nova fonte independente.

Art. 20 — Natureza

Toda evidência será classificada como ED, EC, EQ, EN ou EI.

Art. 21 — Direção

Evidências favoráveis, ambivalentes, contrárias e neutras serão preservadas.

Art. 22 — Interesse

Finalidade promocional, comercial, administrativa, jornalística ou memorial será registrada.

Art. 23 — Residência

Cada observação terá uma residência valorativa principal.

Art. 24 — Fonte única

Uma fonte isolada não definirá IPC ou PCE da edição, salvo dado factual específico que não exija inferência global.

CAPÍTULO IV — IPC

Art. 25 — Definição

IPC mede reconhecimento, desejabilidade e valor simbólico contemporâneos.

Art. 26 — Perfil

O perfil IPC conterá RIC, DAC, SMC e MPC.

Art. 27 — RIC

RIC medirá valorização institucional além da mera oficialidade.

Art. 28 — DAC

DAC medirá desejabilidade manifestada pelos agentes competitivos.

Art. 29 — SMC

SMC medirá saliência editorial relativa no ecossistema disponível.

Art. 30 — MPC

MPC medirá mobilização pública contextualizada.

Art. 31 — Oficialidade

Oficialidade não elevará IPC automaticamente.

Art. 32 — Organizador

Prestígio do organizador não substituirá evidência da competição.

Art. 33 — Propaganda

Linguagem promocional isolada não provará adoção por agentes, mídia ou público.

Art. 34 — Vencedor

Celebração do vencedor será evidência auxiliar.

Art. 35 — Não vencedores

O corpus buscará fontes de não vencedores e objetivos CT0.

Art. 36 — Economia

Dados econômicos serão relativos e não constituirão subdimensão autônoma.

Art. 37 — Tradição

Longevidade poderá sustentar prestígio demonstrado, sem bônus automático.

Art. 38 — Escala IPC

IPC utilizará classes ordinais 1 a 5 e IPC-PD.

Art. 39 — Ordinalidade

Distâncias entre classes não serão presumidas iguais.

Art. 40 — Consolidação IPC

O perfil será consolidado por mediana intervalar com pelo menos três subdimensões válidas.

Art. 41 — Extremos IPC

IPC-1 e IPC-5 dependerão de convergência reforçada e auditoria contrária.

Art. 42 — Heterogeneidade IPC

Divergência superior a duas classes será preservada e explicada.

CAPÍTULO V — IMPRENSA, PÚBLICO E ECONOMIA

Art. 43 — Corpus

O corpus de imprensa será definido antes da classificação.

Art. 44 — Diversidade

O corpus buscará diversidade geográfica, editorial e temporal.

Art. 45 — OCR

OCR será ferramenta de localização e não prova final.

Art. 46 — Página original

Evidência decisiva será conferida no original disponível.

Art. 47 — Contagem bruta

Número absoluto de matérias não definirá SMC.

Art. 48 — Publicidade

Publicidade e conteúdo editorial serão separados.

Art. 49 — Público

Público será contextualizado por capacidade, estádio, preço, fase e mercado.

Art. 50 — Rodada dupla

Público conjunto não será atribuído sem documentação específica.

Art. 51 — Audiência

Audiência será normalizada pelos meios e alcance tecnológico disponíveis.

Art. 52 — Dinheiro nominal

Valores nominais não serão comparados diretamente entre eras.

Art. 53 — Correção monetária

Correção macroeconômica será auxiliar e não substituirá comparação futebolística relativa.

Art. 54 — Prêmio pago

Valor anunciado, contratado e efetivamente pago serão distinguidos.

CAPÍTULO VI — PCE

Art. 55 — Definição

PCE mede compromisso esportivo efetivamente demonstrado.

Art. 56 — Perfil

O perfil do participante conterá EED, PPO, ECC e ACP.

Art. 57 — EED

EED avaliará emprego do elenco diante da disponibilidade real.

Art. 58 — PPO

PPO avaliará planejamento e recursos operacionais.

Art. 59 — ECC

ECC avaliará escolhas diante de conflitos de calendário.

Art. 60 — ACP

ACP avaliará adesão e continuidade participativa.

Art. 61 — NDR

O Núcleo Disponível de Referência será perfil contextual e não onze fixo universal.

Art. 62 — Corte do NDR

NDR será construído sem fama posterior ou resultado da edição.

Art. 63 — Indisponibilidade

Lesões, suspensões, convocações e impedimentos não reduzirão PCE.

Art. 64 — Rotação

Rotação estratégica não significará despriorização automática.

Art. 65 — Profundidade

Elenco profundo não será penalizado por empregar rotação principal.

Art. 66 — Declaração

Declaração sem conduta compatível não sustentará PCE elevado.

Art. 67 — Prêmio

Premiação não provará PCE sem reação comportamental.

Art. 68 — Força maior

Força maior será separada de desistência voluntária.

Art. 69 — Escala PCE

PCE utilizará classes ordinais 1 a 5, PCE-PD e NA.

Art. 70 — Consolidação individual

O participante será consolidado por mediana intervalar com pelo menos três subdimensões aplicáveis e válidas.

Art. 71 — Extremos PCE

PCE-1 e PCE-5 exigirão convergência reforçada de condutas.

CAPÍTULO VII — CAMPO E FASES

Art. 72 — PCE-G

PCE-G descreverá a prioridade geral do campo.

Art. 73 — PCE-N

PCE-N descreverá o núcleo competitivo definido ex ante pelo FCP.

Art. 74 — PCE-D

PCE-D descreverá as fases decisivas.

Art. 75 — PCE-H

PCE-H preservará heterogeneidade e distribuição.

Art. 76 — COV-PCE

COV-PCE registrará cobertura por participante, fase e partida.

Art. 77 — Participantes

Participantes terão peso descritivo igual na PCE-G.

Art. 78 — Partidas

Quantidade de partidas não aumentará automaticamente influência no perfil.

Art. 79 — Cobertura parcial

Corpus restrito aos finalistas não autorizará PCE-G definitiva.

Art. 80 — Fases

Prioridade será preservada por fase quando houver mudança demonstrada.

Art. 81 — Final

Conduta na final não apagará fases anteriores.

Art. 82 — NA

Não aplicável será distinguido de dado ausente.

CAPÍTULO VIII — QUALIDADE E AUDITORIA

Art. 83 — Graus

QIPC e QPCE usarão classes A, B, C e D separadas do valor.

Art. 84 — Q-A

Q-A exigirá três famílias independentes, cobertura adequada e evidência contrária auditada.

Art. 85 — Q-B

Q-B exigirá duas famílias independentes e fonte primária contemporânea.

Art. 86 — Q-C

Q-C autorizará somente faixa provisória.

Art. 87 — Q-D

Q-D produzirá PD.

Art. 88 — Conduta obrigatória

QPCE definitivo exigirá fonte FC e mapa de disponibilidade.

Art. 89 — Dupla codificação

Evidências decisivas e controvérsias serão codificadas por ao menos dois revisores.

Art. 90 — Confiabilidade

Alfa de Krippendorff será calculado quando houver volume suficiente.

Art. 91 — Limite de confiabilidade

Resultado inferior a 0,667 impedirá decisão definitiva antes de recodificação.

Art. 92 — Histórico

Códigos originais, divergências e conciliações serão preservados.

Art. 93 — Inferência

Toda inferência registrará premissa, elo causal, alternativa e limitação.

Art. 94 — Intervalo

Evidência adjacente conflitante produzirá faixa, sem arredondamento discricionário.

CAPÍTULO IX — ERAS E REVISÃO

Art. 95 — IPC por era

IPC poderá ser herdado após demonstração longitudinal de estabilidade.

Art. 96 — Amostra de era

Serão examinadas pelo menos três edições distribuídas, ou todas quando houver menos de três.

Art. 97 — PCE por edição

PCE será específico por edição como regra.

Art. 98 — Herança PCE

Herança de PCE exigirá amostra longitudinal representativa e ausência de ruptura.

Art. 99 — Ruptura

Mudanças de calendário, concorrência, composição, mídia, incentivo ou conduta poderão dividir eras.

Art. 100 — Décadas

Décadas redondas não criarão eras sem evidência.

Art. 101 — Extraordinária

Edição extraordinária receberá análise própria quando alterar IPC ou PCE.

Art. 102 — Revisão

Após congelamento, revisão dependerá de autorização e das hipóteses gerais do IHFB.

Art. 103 — Registro de revisão

Toda revisão registrará regra anterior, nova regra, motivo, fontes e impacto esperado, sem examinar beneficiários.

CAPÍTULO X — ENTREGA AOS BLOCOS POSTERIORES

Art. 104 — Bloco 5

O Bloco 5 definirá o método de FCP necessário para selecionar PCE-N.

Art. 105 — Blocos 6 a 10

Os perfis serão aplicados às diferentes categorias sem escalas privilegiadas por nome ou abrangência.

Art. 106 — Bloco 14

Somente o Bloco 14 poderá converter classes ou perfis em componentes matemáticos limitados.

Art. 107 — Bloco 15

Proxies, intervalos, correlações e escolhas de consolidação serão submetidos à sensibilidade.

Art. 108 — Congelamento

Este Regulamento integra a metodologia congelada do IHFB e somente poderá ser revisto nos termos dos Arts. 102 e 103.


15. Decisões aprovadas e congeladas no Bloco 4

  1. IPC medirá reconhecimento, desejabilidade e valor simbólico contemporâneos.
  2. PCE medirá compromisso esportivo efetivamente demonstrado.
  3. IPC e PCE permanecerão separados, ainda que correlacionados.
  4. A unidade padrão continuará sendo competição–edição.
  5. Nenhuma classificação dependerá do vencedor ou do impacto no ranking.
  6. Toda análise utilizará Base Comparativa Contemporânea declarada.
  7. CT0, CT1 e CT2 terão primazia sobre memória CT3.
  8. CT3 será contextual e não substituirá evidência contemporânea.
  9. As fontes serão organizadas nas famílias FI, FA, FM, FP, FC e FH.
  10. Reproduções da mesma origem não contarão como fontes independentes.
  11. Toda evidência terá natureza, direção, interesse, limitação e residência principal.
  12. Uma observação não será contada numericamente em duas dimensões.
  13. O IPC terá exatamente quatro subdimensões: RIC, DAC, SMC e MPC.
  14. Oficialidade continuará sem produzir IPC alto automaticamente.
  15. Linguagem promocional isolada não provará prestígio social.
  16. Celebração do vencedor será evidência auxiliar.
  17. Objetivos CT0 e fontes de não vencedores serão procurados para controlar viés do campeão.
  18. Cobertura jornalística será comparada por proeminência, continuidade, proporção e alcance, não só por contagem.
  19. OCR será apenas ferramenta de localização e exigirá conferência do original para evidência decisiva.
  20. Ausência em OCR não será evidência negativa suficiente.
  21. Público será contextualizado por capacidade, preço, estádio, fase, mercado e BCC.
  22. Público de rodada dupla não será atribuído sem documentação.
  23. Audiência será normalizada pelos meios tecnológicos disponíveis.
  24. Valores econômicos terão camadas nominal, real e relativa futebolística.
  25. Premiação e receitas continuarão indicadores auxiliares, não quinta subdimensão do IPC.
  26. Valor anunciado, contratado e pago serão distinguidos.
  27. IPC utilizará classes ordinais 1 a 5 e IPC-PD.
  28. As classes não serão tratadas como intervalares nem convertidas agora em coeficientes.
  29. O IPC consolidado usará mediana intervalar e pelo menos três subdimensões válidas.
  30. IPC-1 e IPC-5 exigirão convergência reforçada de três subdimensões e três famílias.
  31. O PCE terá exatamente quatro subdimensões: EED, PPO, ECC e ACP.
  32. Será criado NDR contextual, sem presumir onze titulares fixos.
  33. Lesões, suspensões, convocações e limites de inscrição não reduzirão PCE.
  34. Rotação estratégica e profundidade de elenco não significarão despriorização automática.
  35. Fama posterior e valor de mercado não decidirão o EED.
  36. Declaração sem conduta compatível não sustentará PCE elevado.
  37. Premiação sem reação comportamental não sustentará PCE elevado.
  38. Força maior será separada de recusa ou desistência voluntária.
  39. PCE utilizará classes ordinais 1 a 5, PCE-PD e NA.
  40. O participante será consolidado por mediana intervalar com pelo menos três subdimensões válidas.
  41. A edição manterá PCE-G, PCE-N, PCE-D, PCE-H e COV-PCE separados.
  42. PCE-N dependerá de seleção ex ante pelo FCP do Bloco 5.
  43. Quantidade de partidas não aumentará automaticamente o peso descritivo do participante.
  44. Corpus limitado a finalistas não autorizará PCE-G definitiva.
  45. Prioridade de fases decisivas não apagará a das fases anteriores.
  46. QIPC e QPCE serão graus separados do valor, em A, B, C e D.
  47. Q-A exigirá três famílias, cobertura adequada e busca de evidência contrária.
  48. Evidências decisivas e casos controversos terão dupla codificação e teste de confiabilidade quando possível.
  49. IPC poderá ser herdado por era sob requisitos longitudinais, enquanto PCE será por edição como padrão.
  50. Nenhuma classe ou perfil será convertido em peso antes dos Blocos 14 e 15.

16. Registro preliminar de fontes

Fonte Dado relevante Uso metodológico
Fundação Biblioteca Nacional — Hemeroteca Digital Brasileira Disponibiliza jornais, revistas, anuários, boletins e outras publicações seriadas brasileiras Base institucional para fontes contemporâneas, com registro de acervo e edição
Biblioteca Nacional — orientações de uso Exige identificação de fonte e autoria no uso do acervo Sustenta registro completo e auditável da evidência
Library of Congress — pesquisa em jornais históricos e limitações de OCR Registra que idade e condição das páginas afetam a precisão do OCR Fundamenta conferência visual, grafias variantes e proibição de interpretar ausência em busca como silêncio
Beelen et al. — “Bias and representativeness in digitized newspaper collections” Demonstra vieses de seleção, preservação e representatividade em coleções digitalizadas e propõe contextualização por ecologia histórica Fundamenta o mapa de acervo, diversidade do corpus e controle geográfico/editorial
Krippendorff — “Measuring the Reliability of Qualitative Text Analysis Data” Desenvolve alfa aplicável a múltiplos codificadores, dados incompletos e escalas distintas Fundamenta auditoria de codificação e confiabilidade entre revisores
Krippendorff — “Reliability in Content Analysis: Some Common Misconceptions and Recommendations” Examina requisitos e limites de medidas de confiabilidade em análise de conteúdo Sustenta limiares, revisão do dicionário e preservação de divergências
Macnamara — “Media Content Analysis: Its Uses, Benefits and Best Practice Methodology” Sistematiza amostragem, unidades, codificação e análise de mídia Fundamenta corpus, proeminência, gênero editorial e separação entre contagem e significado
Madalozzo e Villar — “A Model of Attendance Demand at the Brazilian Football League” Encontra influência de preço, clássicos, mercado, desempenho, risco esportivo e promoções sobre o público Fundamenta recusa do público bruto como proxy isolada de prestígio
Mehta et al. — “Chop and Change: Examining the occurrence of squad rotation...” Trata rotação como fenômeno recorrente e associado a contexto competitivo e disponibilidade Sustenta distinção entre rotação, gestão de carga e despriorização
McHugh — “A Novel Approach to Assessing Starting Line-up Stability” Mostra que simples contagem de mudanças entre jogos pode representar mal a estabilidade real do elenco Fundamenta NDR contextual e rejeição de um percentual universal de titulares
CBF — portal de competições e documentos de jogo Disponibiliza tabelas e acesso a escalações, súmulas, boletins financeiros e relatórios em competições recentes Demonstra fontes institucionais possíveis para EED, público, renda e disponibilidade moderna
CONMEBOL — portal da Libertadores Disponibiliza regulamentos, listas de boa-fé, posições, estatísticas e anuários Demonstra fontes institucionais para inscrição, participação e regras contemporâneas
Banco Central do Brasil — correção de valores Explicita correção por índices e mudanças de moeda Sustenta a camada macroeconômica, sem substituir comparação relativa futebolística
OECD/JRC — Handbook on Constructing Composite Indicators Recomenda estrutura teórica, tratamento de ausências, controle de correlação, decomposição e sensibilidade Fundamenta perfis separados, residência única e adiamento da agregação matemática
Teixeira e Hollanda — “Espetáculo futebolístico e associativismo torcedor no Brasil” Relaciona profissionalização, rádio, massificação, imprensa e transformações do futebol brasileiro Sustenta comparação conforme o ecossistema histórico de mídia e público

Nota sobre as fontes

As fontes metodológicas demonstram como preservar contexto, comparar indicadores e auditar interpretação. Elas não atribuem classe a nenhuma competição brasileira.

Na aplicação futura, cada edição ou era exigirá fontes contemporâneas próprias. Sites colaborativos poderão localizar pistas, mas não substituirão documentos e fontes superiores em casos controversos.


17. Relação com os próximos blocos

Com sua aprovação e congelamento, o Bloco 4 entrega:

  • ao Bloco 5, a necessidade de um FCP ex ante para definir o núcleo competitivo de PCE-N;
  • aos Blocos 6 a 10, um protocolo comum de IPC/PCE adaptável a estaduais, regionais, nacionais, continentais e mundiais;
  • ao Bloco 13, regras documentais para edições extraordinárias, boicotes, crises e controvérsias;
  • ao Bloco 14, perfis ordinais consolidados, sem coeficientes predefinidos;
  • ao Bloco 15, intervalos, proxies, correlações, qualidade e escolhas que exigirão sensibilidade;
  • ao Bloco 16, um procedimento auditável de congelamento e revisão.

Fim do regulamento aprovado — Bloco 4, versão 1.0.